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Do direito ao voto feminino à licença maternidade, batalhas de Bertha Lutz

25 de julho de 2022

Gosto sempre de render homenagens às muitas mulheres que foram pioneiras, cada qual em sua área, na luta pelos nossos direitos. Se hoje podemos mostrar a força do feminino, seja pelo voto ou pela representação, devemos parte dessa conquista à Bertha Lutz. 

Boa leitura! 

Ana Claudia 

Mulher à frente de seu tempo, Bertha Lutz foi uma das principais personagens na defesa pelos direitos das mulheres no Brasil. Lutou pelo voto feminino e pela emancipação da brasileira. Aliás, muitas das conquistas que temos hoje são frutos do seu engajamento como mulher, cientista e parlamentar. Entre elas, o direito ao voto feminino e à licença maternidade. 

Nascida em São Paulo em 2 de agosto de 1894, foi criada na Europa e se formou na Sorbonne em Ciências Naturais. No entanto, culta e inspirada pelo movimento sufragista inglês, volta ao Brasil em 1918. Assume, por concurso público, o cargo de bióloga do Museu Nacional. 

A ciência sempre fez parte da sua vida. Seu pai, Adolfo Lutz, foi criador da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil. Sua mãe, a inglesa Amy Fowler, era enfermeira. Aliás, também do pai, que por anos atendeu populações carentes, herdou a consciência social. 

Sobretudo, Bertha Lutz acreditava na força do coletivo feminino e na importância da educação. Foi uma das criadoras, em 1919, da Liga para Emancipação Intelectual da Mulher, que serviu de base para a criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).  Sob o lema “Promover a educação da mulher e elevar o nível de instrução feminina”, a entidade liderou conquistas como o voto feminino e as leis de proteção à mulher e à criança.  Bem como a criação da União Universitária Feminina. 

Bertha Lutz: voto feminino, igualdade de gênero e direitos 

A luta pelos direitos das mulheres foi a razão de sua vida. Não se casou nem teve filhos. Uma das suas principais conquistas, junto com outras ativistas, foi o estabelecimento do direito ao voto feminino, em 1932, por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas.  

No campo político, no entanto, com a morte do titular Cândido Pessoa, em 1936 assume o cargo de deputada da Câmara Federal. Entre suas bandeiras estavam propostas de mudança na legislação referente ao trabalho da mulher e do menor. Bem como igualdade salarial e licença de três meses para a gestante. Além disso, a redução da jornada de trabalho, que era de 13 horas na ocasião. Porém, sua atuação como deputada foi interrompida com a instauração do Estado Novo e o fechamento do Congresso, em 1937. Como era funcionária pública concursada, ocupou diversos cargos até a aposentadoria em 1964. 

Todavia, já formada também em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1945 integra a delegação Brasileira na Conferência das Nações Unidas em São Francisco (EUA).  No entanto, era a única mulher da comitiva brasileira e uma das quatro entre os demais países. Destemida, defendeu a inclusão de menções sobre igualdade de gênero na Carta das Nações Unidas

Contudo, seu último ato público como defensora dos direitos femininos foi em 1975, Ano Internacional da Mulher. Bertha Lutz fez parte de delegação brasileira na I Conferência Mundial da Mulher que tinha como tema “Igualdade, Desenvolvimento e Paz”. Faleceu no ano seguinte, aos 84 anos. 

Bertha Lutz: uma brasileira que nos inspira. Sua história de lutas, no entanto, também nos faz refletir sobre o quanto ainda temos a conquistar e que juntas sempre seremos mais fortes. 

  

  

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